Secretaria instaura comissão para apurar confusão no Instituto de …

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008 às 17:47

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Vidro quebrado em tumulto no Instituto de Educação/ Reprodução TV Globo

RIO - A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro informou, em nota, que instaurou uma comissão de inquérito para apurar e identificar os responsáveis por uma briga envolvendo pelo menos dez professores, dois alunos e alguns funcionários do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), na Tijuca, que acabou na 18ª DP (Praça da Bandeira), na noite da quarta-feira. A Secretaria disse que o episódio é inaceitável como exemplo para a educação, pela história do Instituto e por aqueles verdadeiramente comprometidos com o ensino e está acompanhando o inquérito policial.

Segundo a secretaria, o funcionamento do Instituto de Educação está garantido através de medidas que porventura precisem ser adotadas, bem como a segurança e integridade dos alunos e professores da instituição.

De acordo com testemunhas, a briga teria começado após seguranças do instituto terem impedido professores que estão temporariamente impossibilitados de assumir umas das turmas. Houve um bate-boca com os outros docentes que continuam em atividade.

- Nós fomos impedidos por um funcionário instruído pela direção que não nos deixassem entrar nem pra pegar nossas pastas, nem para ter o acesso que os demais professores têm - explicou a professora Valéria Rosito.

Segundo Maria da Glória Pereira, vice-diretora do instituto, o problema começou porque os profissionais, que fizeram concurso para nível superior estariam revoltados porque não aceitam que profissionais concursados para o ensino médio lecionem para o nível superior. Eles alegam questões políticas e afirmam que professores aprovados para turmas do ensino fundamental também estariam atuando no curso normal superior.

- Nós não vamos admitir mais nenhum professor desviado de função dando aula no Ensino Superior -reclamou a professora concursada Glória Tonasso.

A vice-diretora informou que os professores que atualmente atuam no curso normal superior foram aprovados para o cargo de professor de nível médio porque na época, há cerca de 20 anos, não havia seleção para nível superior, e que foram eles os idealizadores do curso no instituto. Ela frisou que todos os funcionários possuem mestrado ou doutorado. A diretora do Instituto afirmou ainda que os professores afastados estariam esperando uma transferência.

- Neste movimento de possível transferência pra Uerj alguns professores foram para a Faetec na perspectiva de aguardar a transferência. Como não se deu essa transferência, estes professores estão sendo relotados na instituição e essa relotação está se dando com as aulas já inciadas, então foi preciso um rearranjo de horários - contou a diretora do instituto, Sandra Regina dos Santos.

De acordo com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, a criação do Instituto Superior de Educação dentro do ISERJ foi, no mínimo, açodada. Desde 2004 os alunos formados não têm seus diplomas reconhecidos em universidades, pois a Uerj, que não foi consultada sobre a matéria, não os reconhece. O atual governo, em um entendimento com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), conseguiu que até o final de setembro os diplomas sejam reconhecidos, resolvendo, assim, uma pendência de mais de três anos.

A secretaria esclareceu que apesar de existirem professores cedidos pela Secretaria de Educação para atender às necessidades do Curso Superior, chamado Normal Superior (professores com 25 anos de ISERJ), foi realizado um concurso para contratação de professores. Assim, se instalou uma crise permanente de mais de três anos entre dois grupos, o de professores concursados e o de profissionais contratados, que levou professores de 40 horas a preencherem carga horária de quatro, cinco e seis horas.

De acordo com a secretria, o vestibular para acesso ao curso superior do ISERJ foi suspenso há dois anos pelos seguintes motivos por causa da não existência de reconhecimento desses diplomas por universidades; e pela orientação do Ministério da Educação e Cultura (MEC) ser no sentido de substituir o curso Normal Superior pela Licenciatura em Pedagogia. Além disso, a Uerj disponibiliza o curso de Licenciatura em Pedagogia, atendendo a demanda da região.

Foi criada uma comissão que tem até o dia 30 de setembro para apresentar uma proposta de integrar o Curso Normal Superior do ISERJ à UERJ, o que permitiria o funcionamento da Faculdade de Pedagogia dentro do Instituto com diploma reconhecido e emitido pela UERJ.

Alunos estão revoltados

No meio da polêmica estavam os alunos, revoltados e decepcionados. A polícia estava no portão do colégio e as atividades foram suspensas. O resultado da confusão foram cadeiras reviradas, a janela quebrada e vidros espalhados pelo chão. Peritos estiveram no local.

- Eu sou aluna, e eu quero me formar. Eu quero saber onde é que está o meu diploma. Eu quero saber o que a Faetec vai fazer comigo até o final do ano, eu quer saber se eu vou pra Uerj ou não, eu quero saber se os meus colegas vão ter os mesmos direitos que eu, é isso que eu quero saber - questionou outra aluna, Márcia Roberta.

Alguns alunos, de acordo com testemunhas, chegaram a ser agredidos por professores, e deverão passar por exame de corpo de delito.

- Teve um professor que agrediu um aluno, foi parar na delegacia. Teve uma professora agredindo uma outra aluna e teve professores se agredindo também - contou a aluna Lilian dos Santos Ferreira.

Fonte: O Globo Online

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